Como surgiram os 8 Níveis de Maturidade em IA
A tecnologia estava disponível. Os cargos eram semelhantes. Mas a maneira de se relacionar com a IA era profundamente diferente.
Essa discrepância está na origem da inquietação que deu forma aos 8 Níveis de Maturidade em IA. Não bastava perguntar quem tinha acesso à tecnologia, quem participava de treinamentos ou quem já estava usando uma ferramenta. A mesma expressão, usar IA, parecia reunir comportamentos, receios e possibilidades muito distantes entre si.
O modelo nasceu da tentativa de dar linguagem a essas diferenças. E, a partir delas, formular uma pergunta mais interessante:
Não apenas quanto usamos inteligência artificial, mas o quanto ela muda a maneira como pensamos, decidimos e criamos valor.
Esta é a história intelectual dessa pergunta, de acordo com as experiências relatadas por Alessandro Jacoby. Não se trata de uma reconstrução documental exaustiva, nem de uma demonstração de validade científica do modelo.
1. A experiência que tornou visível o problema
Em um workshop com lideranças de uma empresa global do agronegócio, chamou a atenção a diversidade de relações com a IA entre pessoas que ocupavam funções semelhantes.
De acordo com o relato de origem, alguns participantes já discutiam como compartilhar conhecimento entre áreas e unidades para encurtar processos e criar novas formas de trabalhar. Outros recorriam à tecnologia para usos individuais e pontuais, como organizar a própria agenda.
A ferramenta era comparável. O nível hierárquico, também. A relação com a tecnologia, não.
O contraste não torna um desses usos irrelevante. Organizar uma agenda pode ser útil; transformar fluxos entre unidades também. O problema surge quando ambos são tratados como indicadores equivalentes de maturidade, sem distinguir o tipo de pensamento ou de mudança que representam.
Na interpretação que daria origem ao DESTRAVA, a pergunta deixou de ser apenas “Quem está usando IA?” e passou a ser “O que a pessoa está conseguindo fazer, reconsiderar e transformar com ela?”.
2. O limite das medidas tradicionais de adoção
Medir acesso, participação e frequência de uso ajuda a entender a presença de uma tecnologia no cotidiano. É informação relevante. Mas não descreve, por si, a qualidade da relação que as pessoas constroem com ela.
Duas pessoas podem apresentar frequência de uso semelhante e operar de modos distintos. Uma pede que a IA execute algo que já foi decidido. Outra utiliza a interação para confrontar premissas antes mesmo de escolher o que fazer.
Essa distinção não prova que uma seja universalmente mais competente. Ela revela perguntas diferentes e, portanto, necessidades diferentes de desenvolvimento.
O projeto dos oito níveis surge como resposta conceitual a esse problema de linguagem: como reconhecer relações distintas com a IA sem reduzi-las à oposição simplista entre quem usa e quem não usa?
O foco passa do volume de utilização para aquilo que o modelo denomina profundidade da relação com a IA.
3. David Kolb: o estímulo que veio antes
Há uma distinção fundamental na história intelectual dos oito níveis: David A. Kolb foi identificado pelo autor como estímulo anterior à construção do modelo. As demais referências reunidas posteriormente são diálogos e convergências, não influências de origem.
No livro Experiential Learning: Experience as the Source of Learning and Development (1984), Kolb apresenta uma concepção de aprendizagem em que o conhecimento se desenvolve por meio da transformação da experiência. Sua proposta articula quatro movimentos: experiência concreta, observação reflexiva, conceituação abstrata e experimentação ativa.
| Na aprendizagem experiencial de Kolb | Pergunta que ajuda a iluminar |
|---|---|
| Experiência concreta | O que aconteceu, de fato? |
| Observação reflexiva | O que percebemos nessa experiência? |
| Conceituação abstrata | Que explicação ou hipótese podemos formular? |
| Experimentação ativa | O que poderíamos experimentar de outra maneira? |
Essas perguntas são adaptações didáticas do presente texto, não citações literais de Kolb. A sequência dos quatro modos de aprendizagem está documentada em sua obra e em materiais de instituições de ensino. (Referência bibliográfica; Open University).
O que dialoga com o nascimento do DESTRAVA não é a ideia de copiar esse ciclo e transformá-lo em uma classificação de usuários de IA. É uma provocação anterior: aprender não se reduz a receber uma informação; envolve reconsiderar a experiência e experimentar outras maneiras de agir.
A partir desse estímulo, o DESTRAVA formula, como interpretação própria, uma pergunta: se duas pessoas possuem a mesma tecnologia, mas aprendem e agem de maneiras diferentes com ela, como compreender a profundidade dessa relação?
O que Kolb não fez
Os oito níveis não são os quatro modos de aprendizagem de Kolb multiplicados por dois. Também não correspondem aos estilos de aprendizagem de sua teoria. Não há, no material disponível, base para afirmar que Kolb tenha proposto, endossado ou validado o modelo DESTRAVA.
A relação declarada é de estímulo intelectual. Essa precisão preserva tanto a contribuição do autor original quanto a autoria do novo modelo.
4. A interpretação própria: oito relações possíveis com a IA
A construção autoral dos oito níveis procurou distinguir relações com a tecnologia que uma pergunta genérica sobre adoção não consegue separar.
No modelo, a trajetória conceitual começa pela resistência e pela utilidade ocasional, passa pela ampliação da execução e pela revisão do pensamento, chega ao redesenho do trabalho e à inteligência coletiva e, por fim, incorpora a transformação dos modelos existentes e a responsabilidade sobre futuros possíveis.
O percurso é apresentado em oito níveis:
- O Reativo
- O Eventual
- O Executor Aumentado
- O Pensador Assistido
- O Estrategista
- O Orquestrador
- O Transformador
- O Arquiteto do Futuro
Essa arquitetura procura responder não apenas “Como alguém utiliza IA hoje?”, mas também “Que crença, hábito ou condição pode estar limitando o próximo movimento?” e “Que experiência poderia provocar outra maneira de pensar e agir?”.
Daí vêm duas ideias estruturantes do modelo: bloqueios e gatilhos. Elas orientam a interpretação e o desenho de intervenções. Não devem ser confundidas com mecanismos causais universalmente comprovados.
A passagem do nível 3 (O Executor Aumentado) ao nível 4 (O Pensador Assistido) ganhou destaque especial na tese: a diferença entre usar IA para executar melhor uma ideia e usá-la para questionar a própria ideia. Sua centralidade é uma hipótese conceitual do DESTRAVA, ainda aberta à investigação empírica.
Conhecer os oito níveis e suas descrições oficiais
Aprofundar a tese da maturidade em IA
Por que exatamente oito?
O material consolidado descreve os níveis, suas perguntas, bloqueios e gatilhos, mas não documenta ainda o critério histórico usado para chegar ao número oito, nem registra as alternativas consideradas durante a modelagem.
Isso não impede a apresentação da arquitetura atual. Significa apenas que a página não deve inventar uma justificativa retrospectiva (por exemplo, dizer que o número decorreu de Kolb ou de uma validação estatística) sem que o autor confirme essa história.
5. Por que o nome DESTRAVA
Uma ideia atravessa o relato de origem: diante de uma mudança maior do que aquilo que conseguimos compreender imediatamente, a reação pode ser a paralisia. A IA pode despertar curiosidade, entusiasmo, dúvida, resistência e receio de perder relevância.
O nome DESTRAVA expressa uma escolha de abordagem. Em vez de começar pelo que falta aprender sobre ferramentas, o projeto propõe olhar para a relação que a pessoa já construiu com a tecnologia e para o próximo movimento que poderia ajudá-la a avançar.
Na tese, destravar não significa alcançar o nível mais alto a qualquer custo. Significa identificar um bloqueio possível, construir uma experiência relevante e observar o que muda na maneira de compreender e agir.
Por isso, o nome não corresponde apenas ao teste. Ele aponta para a intenção que une a interpretação dos oito níveis e sua aplicação em desenvolvimento.
6. Da visão ao diagnóstico, sem confundir as duas coisas
Para que a interpretação pudesse ser utilizada em experiências de desenvolvimento, surgiu sua aplicação diagnóstica: um instrumento destinado a oferecer uma leitura de percepção sobre a relação declarada com a IA.
O diagnóstico procura organizar respostas em torno da arquitetura de oito níveis e sugerir caminhos de desenvolvimento. Isso não significa identificar uma essência fixa da pessoa, medir integralmente seu desempenho real ou comprovar causalmente o estágio de sua evolução.
Na utilização do DESTRAVA, a leitura do diagnóstico pode abrir uma investigação: em que tarefas a pessoa usa IA? Que perguntas faz? Que decisões revisa? Que situações ainda não consegue enfrentar? Que experiência poderia produzir um aprendizado relevante?
A tese é o conhecimento mais amplo. O diagnóstico é uma aplicação desse conhecimento, não sua definição inteira.
A primeira aplicação: o que revelaram 122 respostas
Uma palestra on-line sobre inteligência artificial marcou uma das primeiras oportunidades de aplicar o diagnóstico a um grupo e observar como os oito níveis distribuíam diferentes relações com a tecnologia. O retrato agregado dessa experiência registra 122 participantes respondentes, e não o número total de pessoas que assistiram ao encontro. É essa a base utilizada nos resultados a seguir.
O retrato apresentou uma concentração expressiva nas etapas intermediárias da escala:
| Indicador do relatório | Resultado | Como ler |
|---|---|---|
| Respostas ao diagnóstico | 122 | Base do retrato; não equivale necessariamente ao público total da palestra. |
| Níveis 2 e 3, somados | 71% | Concentração entre O Eventual e O Executor Aumentado. |
| Nível 2: O Eventual | 32% | Parcela classificada no uso pontual e não consolidado segundo o modelo. |
| Nível 3: O Executor Aumentado | 39% | Nível predominante do grupo, associado à ampliação da execução. |
| Nível 4: O Pensador Assistido | 20% | Parcela classificada na etapa em que a IA começa a ser usada para questionar e ampliar o pensamento. |
| Nível médio | 3,04 | Indicador descritivo do grupo na escala utilizada pelo diagnóstico. |
| Acesso ao plano de desenvolvimento | 75 de 122 (61%) | Participantes que abriram o plano; não comprova leitura integral, aplicação prática ou evolução posterior. |
Fonte: retrato agregado da aplicação on-line do diagnóstico DESTRAVA; percentuais arredondados conforme a apresentação original. A organização e eventuais recortes que permitam identificá-la foram omitidos.
O que chamou a atenção nessa distribuição
A predominância do Nível 3 (O Executor Aumentado) deu forma concreta a uma preocupação que já orientava a tese: o uso da IA pode ter avançado para além da curiosidade e da experimentação ocasional sem que isso signifique, necessariamente, uma mudança na maneira de formular problemas, questionar premissas ou redesenhar o trabalho.
O retrato também registrou 32% no Nível 2, lembrando que parte relevante do grupo ainda se encontrava no uso eventual. Assim, a mesma audiência reunia necessidades diferentes: para alguns, o desafio poderia ser incorporar a tecnologia à rotina; para outros, deixar de confundir execução ampliada com evolução do pensamento.
Na leitura do DESTRAVA, a proximidade entre os níveis 3 e 4 tornou especialmente relevante a pergunta: o que precisa acontecer para que a IA deixe de apenas executar melhor aquilo que pensamos e comece a nos ajudar a pensar de outra maneira?
O relatório trazia ainda uma leitura interpretativa dos comportamentos associados ao grupo: produzir e revisar com IA e explorar alternativas apareciam no campo “já faz”; questionar premissas, em “em transição”; e redesenhar rotinas e compartilhar práticas no time, em “ainda precisa”. Essa é uma classificação produzida pelo próprio modelo a partir do diagnóstico, não uma auditoria independente dos comportamentos reais dos participantes.
A avaliação também apresentava um índice de 43% de prontidão para o próximo nível, classificado no painel como “tensão neutra”. Como o cálculo e a validação desse indicador não são apresentados publicamente, ele fica registrado aqui como métrica interna descritiva, sem ser utilizado para inferir intenção efetiva de mudança ou prever evolução.
O que a experiência mostra e o que não mostra
O retrato documenta como 122 respondentes foram classificados naquela aplicação, dentro da versão do instrumento utilizada no encontro. Ele não mede diretamente produtividade, qualidade das decisões, evolução depois da palestra ou eficácia de uma intervenção. Também não demonstra que o modelo de oito níveis tenha validade psicométrica, nem representa a população de trabalhadores ou empresas.
Não há, nessa aplicação, uma medição posterior que permita dizer quantas pessoas avançaram de nível. O 61% de acesso ao plano indica abertura do material, não adoção das recomendações nem mudança de comportamento.
Ainda assim, como observação inaugural, a distribuição ajuda a entender por que a proposta dos oito níveis se afastou de uma abordagem centrada apenas na presença da tecnologia. O mesmo evento reunia diferentes formas declaradas de relação com a IA; tratá-las como uma única categoria (“usuários de IA”) perderia justamente a nuance que o DESTRAVA pretendia tornar visível.
Sobre estes números: os dados são apresentados de forma agregada e sem identificação da organização. Este recorte não deve ser somado ao conjunto de 461 diagnósticos do retrato público, pois a relação entre as duas bases não está documentada.
7. O que veio depois: referências que dialogam, mas não originaram o modelo
A construção dos oito níveis precedeu, segundo o autor, o encontro com a maior parte das referências reunidas hoje em sua base de conhecimento.
Autores como Chris Argyris, Robert Kegan, Ronald Heifetz, os irmãos Dreyfus e Thomas Malone oferecem conceitos que podem dialogar com a revisão de pressupostos, a mudança adaptativa, o desenvolvimento de expertise e a inteligência coletiva. Mas esse diálogo tem uma direção histórica importante: essas referências foram identificadas depois, como convergências com uma tese já em elaboração.
O papel delas não é conferir ao modelo uma validação que não realizaram. É ajudar a explicitar onde a interpretação proposta se aproxima de outros campos de conhecimento, em que pontos há diferenças e quais questões ainda precisam ser investigadas.
A análise bibliográfica detalhada está em Fundamentos e convergências teóricas, onde cada referência é apresentada com sua fonte.
8. Uma origem que não pretende se transformar em mito
A história de um modelo tende a ganhar retrospectivamente uma sequência perfeita: uma teoria inicial, uma observação decisiva, a escolha das categorias e, por fim, a confirmação pelos dados. O material disponível não autoriza contar a origem dos oito níveis como uma cadeia tão fechada.
Temos um estímulo intelectual declarado, uma experiência de campo relatada, uma inquietação claramente formulada e uma arquitetura conceitual desenvolvida pelo DESTRAVA. Temos também referências reconhecidas posteriormente e resultados publicados de aplicações do diagnóstico.
Essas peças cumprem funções diferentes. A história de criação não substitui a documentação da metodologia. Uma convergência teórica não é uma validação estatística. E os indicadores de participantes não demonstram que todas as transições propostas sejam universais.
Essa distinção não enfraquece a tese; ela torna mais claro o que o DESTRAVA propõe, de onde veio a inspiração e o que ainda é necessário investigar.
9. O que permanece como pergunta
A origem dos oito níveis também pode ser lida como uma agenda de investigação:
- De que modo diferentes relações com a IA se manifestam em comportamentos observáveis?
- Em quais situações o uso frequente se converte (ou não) em revisão do pensamento?
- Como o contexto organizacional favorece ou limita a expressão de níveis mais altos?
- Quais experiências podem ajudar as pessoas a avançar, e como examinar seus efeitos?
- O que um diagnóstico de percepção consegue captar e o que precisa ser observado de outras maneiras?
O DESTRAVA propõe uma linguagem para fazer essas perguntas. Seu valor não precisa depender da afirmação de que todas já foram respondidas.
A origem dos oito níveis está numa diferença que as métricas de uso não explicavam: pessoas com acesso à mesma IA podiam estar construindo relações muito diferentes com ela.
Perguntas frequentes
Quem criou os 8 Níveis de Maturidade em IA?
Os oito níveis são apresentados pelo DESTRAVA: AI Mindset Framework, como proposta autoral de Alessandro Jacoby, vinculada à Soft Skills Academy. O presente texto descreve a origem segundo o relato do autor; não substitui documentação formal de autoria ou registro de propriedade intelectual.
Os oito níveis foram criados por David Kolb?
Não. Kolb foi identificado como estímulo intelectual anterior à construção. Sua teoria da aprendizagem experiencial não contém a classificação de oito níveis do DESTRAVA.
Em que a aprendizagem experiencial inspirou o DESTRAVA?
Na importância atribuída à experiência, à reflexão e à experimentação como parte da aprendizagem. A maneira específica como essa inspiração se conectou à construção dos oito níveis é uma interpretação editorial baseada no relato do autor.
Os oito níveis foram validados cientificamente?
O material disponível não apresenta comprovação de validação psicométrica dos oito níveis como escala universal de maturidade. Eles devem ser apresentados como uma arquitetura conceitual e interpretativa, acompanhada das limitações de seu instrumento diagnóstico.
O DESTRAVA é a mesma coisa que os oito níveis?
Não exatamente. Os oito níveis compõem a estrutura conceitual. O DESTRAVA aplica essa visão em diagnóstico e propostas de desenvolvimento, incluindo aprendizagem por descoberta com IA.
Referências e fontes
Fonte autoral: relato de Alessandro Jacoby, autor dos 8 Níveis de Maturidade em IA, e documentação conceitual do DESTRAVA (Soft Skills Academy). Esses materiais sustentam a narrativa de criação, mas não constituem verificação externa dos acontecimentos relatados.
Fonte dos números da primeira aplicação: retrato agregado de grupo gerado pelo diagnóstico DESTRAVA. Dados utilizados: base de 122 respostas, distribuição nos níveis, nível médio, indicador de acesso ao plano e leitura de comportamentos. A organização não é identificada.
Referência anterior declarada pelo autor: Kolb, David A. (1984). Experiential Learning: Experience as the Source of Learning and Development. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall. WorldCat.
Explicação acadêmica do modelo de Kolb: The Open University. Learning, thinking and doing — The experiential model of learning. OpenLearn.
Definições oficiais atuais: Os 8 Níveis de Maturidade em IA.
Evidências públicas e ressalvas metodológicas: DESTRAVA: Evidência.